Era um dia normal como todos os outros,
a minha gata estava prenha,
quase a ter os seus gatinhos.
Essa gatinha já tinha tido muitos filhos,
e não sabíamos se ia aguentar.
Ela nesse dia estava a miar muito,
parecia que lhe doía alguma coisa.
E comecei a ficar muito assustada.
Foi a correr para o quintal de minha casa,
e deitou-se na terra.
Ela queria dar à luz,
mas não conseguia,
os filhos dela já estavam mortos e podres dentro da barriga.
Eu chamei a minha irmã e ela não veio,
gritei pela minha mãe e ela nem ligou.
Comecei a chorar e a gritar pela minha mãe,
e ela veio, mas aí já não adiantava de nada.
A gatinha estava a morrer,
ela tirou-lhe os filhos dentro dela.
A gata já não tinha força para se levantar,
então eu peguei-a ao colo e levei-a para a varanda,
e deitei-a num cobertor.
O mais grave era que já nem comia nem bebia.
Ainda lhe tentava dar na boca,
mas ela não comia.
No outro dia de manhã,
levantei e fui logo a correr ver a gata.
E ela estava morta no cobertor,
fiquei muito triste.
Dei-lhe muitos beijos na cabeça,
e no pelo castanho-claro e cinzento,
e disse-lhe "Adoro-te".
Peguei numa enxada,
fiz um buraco e enterrei a minha ente querida,
por cima dela meti-lhe um pano para não ficar com a terra toda sob ela.
Quando a acabei de enterrar,
meti-lhe uma jarra com flores.
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